Blog

08 junho 2016

A voz como instrumento humano e seu uso em jingles

Produzida através do ar que sai dos pulmões, passa pela laringe e faz vibrar as pregas vocais, a voz pode ser considerada um instrumento musical primitivo e imediato, pois não depende de nenhum acessório ou aparato externo para ser utilizada. É também um poderoso meio de expressão de sentimentos e intenções como alegria, tristeza, ironia, ansiedade, entusiasmo, pressa, convicção, etc.

Podemos perceber diferentes características da voz através dos gêneros, das texturas (clara, áspera, forçada, escura, pálida, ácida…), dos acentos e sotaques, além de outras qualidades vocais. Com tantos aspectos, é possível imaginar como a voz pode ser utilizada de formas criativas e variadas em jingles publicitários.

Apesar de ser muitas vezes avaliada de forma subjetiva, a voz possui características técnicas específicas do som como intensidade, altura, inflexão, ressonância, frequência, articulação, entonação e melodia, estrutura mestra da música. Em 1992, Hermeto Pascoal identificou o desenho de uma melodia em um discurso do ex-presidente Fernando Collor, musicando-o:

No caso dos jingles, cada peça pede elementos específicos para que a compreensão da mensagem publicitária seja clara e efetiva, incluindo a escolha do voz com a intenção correta. Cada jingle tem um estilo, uma estética própria e arquétipos que precisam ser respeitados no momento da composição. A voz é capaz de imprimir melodia ao texto, definindo a obra lítero-musical e criando uma mistura mágica, que pode vir a ser uma peça de sucesso.

Um bom jingle é, geralmente, simples e redundante, pela efemeridade do meio em que se propaga e por sua curta duração. Mas há formulas contrárias a isso, onde a voz tem um papel substancial, pela força da acentuação, como é a disparada ritmica-silábica já consagrada do Big Mac: “Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles, no pão com gergelim”.

Apesar de ser último elemento a ser gravado numa produção, antes da mixagem final, a voz é elemento primeiro no processo criativo de uma peça publicitária. Canções e jingles são definidos por suas melodias, que podem até nascer de um assovio, mas têm como constituição primordial a voz, fonte natural, muitas vezes lapidada pela tecnoogia, mas com características únicas, particulares e individuais.